ENTREVISTA

Estava lendo o fotolog Zine Brasil, quando li um comentário de um cara, sobre um desenho da NOVA. O cara dizia que as personagens do Emir tinham um estilo dos anos 70 e usavam uniformes e cabelos cafonas. O show ficou por conta da resposta do próprio Emir Ribeiro, em visita ao fotolog. Uma resposta educada, inteligente e sem exaltação. Só lendo para se admirar. Pedi autorização para divulgar, e consegui. Mais depois, um bate-papo com o criador da Velta, que eu havia gravado faz uns meses e estava esperando a hora certa de colocar no ar. Achei a hora certa.

                                                                Tito Augusto

nova robo 

...Meu estilo "setentista e cafonão" - como você classifica - é proposital. Da mesma forma são os coloridos das imagens. Eu detesto esses tons escuros de hoje em dia. O colorido dos anos 70 era melhor e ideal para HQ, e não se precisava ter de levar a revista para o claro iluminado pelo sol para ver os desenhos. Outro ponto são os "uniformes". "Uniforme" é coisa para gari, servente, funcionário de construtora, estudante de colégio primário ou secundário, e super-heróis gringos. Como meus personagens não se encaixam em NENHUMA dessas categorias, eu chamo simplesmente de ROUPAS, as quais depende do gosto pessoal de quem as veste. E tal como as pessoas reais, meus personagens também tem seu estilo e gosto pessoal. Quanto aos cabelões... bem, deve ser porque eu não gosto de mulher careca ou de cabelo curtíssimo. Sinceramente, estou mesmo por fora dos modismos, mesmo porque sou contra essas imposições subliminares da mídia. Ademais, como bem vemos com o correr da história, o que é cafona em um determinado tempo, acaba "voltando" em outro período e se transformando em "da moda". As coisas, então, acabam se repetindo, em tempos diferentes. Quando um "modismo" pega e todo mundo começa a repetir, EU faço questão de ser "do contra", caso eu não venha a concordar com ele. Ou, em outras palavras "ser eu mesmo", "ser autêntico", enfim... não me dobrar à lavagem cerebral da mídia e da mercadologia estrangeira. Por isso, meu trabalho e todo o estilo PRIMA por ser pessoal, intransferível e "inchupável" (ou traduzindo a gíria dos quadrinhos : "procuro não copiar de ninguém"). Quem se habituou à massificação, padronização e conceitos e modismos vigentes, de fato, vai se sentir mal com minhas produções. Infelizmente, não é possível agradar a todos, não é ?

E aí ? O que tem feito ultimamente ?

Abs.

Emir ...

 

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Agora vem o bate-papo, mas sendo que atualizado. Depois que publiquei essa entrevista, um desocupado veio em seu blog contestar as respostas do meu entrevistado. Aí resolvi voltar a falar com o Emir sobre isso, e ele replicou as contestações. Achei que valia a pena ser publicada a réplica. Segue pois a entrevista atualizada.

 

Tito - Emir, tem gente que ainda pensa e trata Velta como heroína, e você  discorda veementemente. O que você tem a dizer sobre isso?

 

Emir - Lamento que essas poucas pessoas continuem pensando igual há tantas décadas, e isso só demonstra que não estão lendo meus quadrinhos, e apenas os criticando com base em fatos do passado longínquo, em trabalhos feitos aos meus 14 a 19 anos.   

 

Tito - Eu acho que uma crítica desinformada, e publicada na internet, que é lida por milhões, só prejudica o quadrinho nacional, você não acha ?Velta

 

Emir - Sem dúvida. O quadrinho brasileiro é extremamente carente  de ajuda. Já é marginalizado, pisoteado, escanteado e chutado há muito tempo pelas máfias editoriais, os sindicatos estrangeiros, os inocentes úteis e os desafetos gratuitos. Ou seja, é um azarado sofredor  de nascença, batalhando sozinho contra um exército. Portanto, qualquer crítica sem fundamento ou desinformada constitui em mais uma pancada forte em um doente debilitado.

 

Tito -  O tal do desocupado, depois de ler a entrevista que fiz com você, veio dizer que não existe sindicato de quadrinhos estrangeiros no Brasil.

 

Emir -  Evidentemente que sei que não existe sindicato estrangeiro (ou quadrilha, ou licenciador, ou máfia, ou intermediário, ou seja lá qual nome se queira dar a eles, o que não importa e nem vem ao caso) no Brasil. Eles continuam lá na terra deles, mas mandando ordens para seus paus-mandados daqui. O que importa é o dano causado por eles contra os artistas e o quadrinho brasileiros. Isso é palpável e real. O resto é definição teórica e sem praticidade alguma, servindo apenas para que gente metido a inteligente venha a arrotar conhecimentos e se exibir em busca de aplauso.

 

Tito -  Depois, o desocupado disse que você tem um inglês muito ruim e não sabe como conseguiu publicar nos Estados Unidos...

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Emir - Na verdade, não tenho orgulho algum de ter uma inglês impecável. Pelo contrário. Faço questão de não ter, mesmo porque, para vender meus desenhos para o exterior tem quem faça a tradução, e não é necessário ser poliglota para falar com editores estrangeiros, pois no geral, eles sabem se um trabalho é ruim ou bom apenas olhando para ele, sem ser preciso conversas em inglês para tal. Ademais, se houver necessidade, há quem traduza tudo, e assim não preciso me dar a mais esse trabalho.

 

Tito - Mas felizmente, já existe gente vendo a luz da verdade, aqui no Brasil, não é ?

 

Emir - Felizmente, sim. Você é um bom exemplo. Tem também a Michele Ramos, o Caio ChristianoPaulo Draven, Lorde Lobo, Marconi Lapada,  Salaza, Seabra, Cortizo ,Luiz Alberto Machado, e outros que estão dedicando seu tempo para abrir páginas, blogues e fotoblogues dedicados apenas a divulgar o bom quadrinho brasileiro. É importante que mais gente tome essa consciência.

 

Tito - É verdade mesmo que existe um boicote e uma conspiração contra o quadrinho nacional ?

 

Emir - Embora muitos achem que é ficção, existe sim. Como o fato de eu não poder mais colocar minhas revistas nas bancas, através dos distribuidores centrais, os quais recusam a receber as edições, alegando ordens e pressões  vindas sabe-se-lá-de-onde.  Outro artifício muito usado era, quando ainda recebiam e distribuíam as revistas em bancas, passar uma espécie de fiscal das grandes editoras (aquelas que só trabalham para e traduzem coisas dos gringos), pressionando o dono da banca a esconder a revista brasileira, para os compradores não a verem. Outra patifaria muito usada é receberem as revistas para distribuir, e só colocarem 10% delas nas bancas, deixando o resto estocado. Depois, dizem que não vende porque não presta. Não vende porque é escondida dos compradores. Enfim, todo tipo de jogada suja para AFUNDAR o quadrinho brasileiro já foi perpetrada por esses mafiosos. E a maioria delas, o público nem imagina que acontece.

 

Tito -  O tal do desocupado contestou sua resposta, dizendo que trabalhou a quase 20 anos no mercado editorial e que não existe essa coisa de esconderem revistas brasileiras. O que você diz disso ?

 

Emir - Quem duvidar que venha perguntar a outros quadrinhistas para ver se eles também não sofrem do mesmoVelta problema. Se quer um acadêmico, indague do Henrique Magalhães que além de dono de uma editora, tem Doutorado sobre o assunto. Fomos entrevistados recentemente, e ele confirmou tudo isso. Também o velho mestre Gedeone Malagola me contou pessoalmente sobre esse artifício de boicotar edições nacionais. Alguns donos de bancas também me relataram coisa parecida, inclusive a presença de fiscais fazendo rondas para esconder as revistas brasileiras das vistas do público.  Parece que a única voz que diz absolutamente o contrário da realidade é o rapazinho aí. Será possível que toda essa gente está mentindo e apenas ele diz a verdade ?


Tito -  O tal do desocupado disse mais que você omitiu certos fatos ao contar sobre as máfias das editoras e distribuidoras.
 

Emir - Engraçado ele falar que fatos são omitidos e NÃO cita quais fatos são esses. Típico daqueles que não matam a cobra e nem mostram o pau.

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Tito -  O tal do desocupado disse ainda que, com relação às distribuidoras, estas exigem uma quantidade mínima de exemplares para serem distribuídos. E que as tais não aceitam uma tiragem inferior mais ou menos 20 mil exemplares, pois os custos não permitem tiragem menor que essa.
 

Emir - Realmente é muita desinformação do prezado desocupado. Isso funciona para distribuição NACIONAL. Minhas distribuições foram regionalizadas, então, para se ter uma média, é só dividir os 20 mil exemplares citados pelo pelo número de estados Brasileiros e teremos mais ou menos a quantidade da distribuição regional por cada estado.


Tito -  O tal do desocupado disse você não é uma editora.

 

Emir - Eu NUNCA disse que era. Sempre sustentei que sou um autor e que faz um trabalho autoral.

 

Tito -  O tal do desocupado disse mais que você é um simples fanzineiro, cuja tiragem das suas edições fica em torno de uns 300 exemplares.

 

Emir - Deixe-me novamente contradizer o pouco informado rapazinho. Hoje, por exemplo, estou  comemorando o quase esgotamento do meu livro HISTÓRIA DAS PARAÍBA EM QUADRINHOS, cuja tiragem foi de 3.500 (três mil e quinhentos) exemplares. Sobraram menos de 100. Portanto, as contas do rapaz estão erradas em pelo menos 3.200 exemplares. Em termos estatísticos, é uma margem de erro bem grande. Sinceramente... se o tal desocupado fosse dono de alguma empresa do ramo da estatística, jamais o contrataria, visto que a matemática dele é sofrível...

Tito -  O tal do desocupado disse ainda que você  não mantém uma periodicidade das edições, o que seria outra exigência das distribuidoras.

 

Emir - Não mantenho mesmo, pois não tenho estúdio e nem empresa repleta de desenhistas para atender uma demanda mensal. Só montaria uma estrutura dessas se tivesse uma certeza, através de um contrato, que a tal distribuidora tivesse de fato a intenção de manter uma revista mensal perene. Afirmações verbais não valem. Além disso, até com contrato é perigoso se negociar com essa gente, pois eles usam diversas artimanhas para destruir o artista Brasileiro.

Tito -  O tal do desocupado disse ainda, que as distribuidoras exigem uma qualidade gráfica específica. Fanzine, revista xerocada e álbuns com tiragem abaixo do exigido, eles não distribuem a distribuir.

 

Emir - Não sei o que o rapaz aí considera como qualidade gráfica, mas imagino que se por acaso passei pelo crivo dos exigentes e chatos editores norte-americanos, tenho alguma qualidade gráfica, sim. E se as estatísticas de vendas valerem de algo, 90% das revistas que publiquei - mesmo independentemente e com as máfias editoriais agindo contra - estão esgotadas. Só as mais recentes ainda existem em estoque. E a propósito, desde 1998 só faço revista impressa EM OFF SET, portanto, não são xerocadas e nem amadoras.  Velta


Tito -  O tal do desocupado diz ainda que a Dinap não aceita material erótico, e que esta seria a única sua "especialidade".

 

Emir - Meu material - especificamente de Velta, que é a rusga principal do desocupado - é sensual, não erótico ou pornográfico. Se o rapaz não sabe a diferença entre um e outro, o nível de esclarecimento ou de percepção dele é bem rasteiro. Além disso, tenho trabalhos publicados em diversos estilos: terror, drama, aventura, super-heróis, históricos, romances e diversos outros gêneros.

 

Tito -  O tal do desocupado disse mais que o fato de você morar no Nordeste dificulta tudo, pois as distribuidoras estão no Sudeste e o frete para remetê-las seria caro...

Emir
- Bem sei disso, e por isso mesmo jamais enviei revistas minhas para distribuir em São Paulo ou noutros estados do Sul. Novamente, o rapaz chutou a bola para fora. Para quem compra minhas edições noutros estados, faço a venda pelos correios.

Tito -  O tal do desocupado ainda veio dizer que você briga muito, discute e arruma confusão com os editores.

Emir
- Somente se eles forem pilantras. Só brigo quando querem fazer malandragem, ou não querem pagar ou ficam enrolando. Essas patifarias  não aceito de maneira alguma.

Tito -  O tal do desocupado disse que você estaria queimado em São Paulo por ser brigão e ter um jeito mandão, e que sempre quer botar banca...

 

Emir - Esse desocupado está virando motivo de riso. Ele deveria se candidatar a humorista num desses programas do ramo, na TV. Respondendo: lutar pelos direitos ou querer fazer a coisa certa é ser mandão e arrogante ? Ou será que quem baixa a cabeça para desmandos, desonestidade e para falta de caráter está é sendo subserviente e conformista ?

 

Tito -  O tal do desocupado disse que devem existir mais de 20.00 bancas espalhadas pelo Brasil. E que só em São Paulo deveria ter umas 2.300 bancas, e que para cada banca há um jornaleiro que vai na distribuidora buscar revistas. E que se houvesse um fiscal para pressionar cada banca e boicotar o produto nacional, a distribuidora estaria sendo burra, pois precisaria de contratar uns 2 a 4 mil fiscais, e gastaria muito com salários deles.Velta
 

Emir - Em um estado pequeno, e mais especificamente apenas na minha cidade, basta UM ÚNICO fiscal para percorrer todas as bancas em menos de uma semana. A matemática do rapaz continua bem deficiente. No estado de São Paulo ou no Rio vá lá que seja necessário mais gente, mas não chega a 2 ou 4 mil fiscais nem de longe. O rapaz é mesmo muito fraco em deduções, e mais fraco ainda em saber da realidade dos fatos.

Amigo Tito, eu só concordei em replicar as tresloucações desse rapaz desocupado pela amizade que devo a você, que muito insistiu para que eu fizesse os esclarecimentos. Além do que, o público e os leitores que tenho merecem todo meu respeito, e não os poderia deixar em dúvida. Se há algum mentiroso, desinformado e desonesto aqui, bem sabemos quem é. Creio que os assuntos ficaram bem esclarecidos. Que o rapaz volte para seus ociosos afazeres de desocupado. Nós temos trabalho a fazer.

 

nova roboTito -  Ficou claro então que a concorrência do material importado é criminosa e desleal. Por isso o quadrinho brasileiro não vai para frente.

 

Emir - Exatamente. É por conta dessa sujeira toda que é preciso mais gente saber do que somos vítimas e tomar uma atitude contra isso, e a favor dos nossos artistas.

 

Tito - Voltando aos seus quadrinhos em particular, e especificamente sobre Velta que é internacionalmente conhecida, quando foi que ela começou  e como foram as mudanças ?

 

Emir - Sempre assumi que ela começou mesmo como super-heroína, quando a criei aos meus 14 anos de idade. E mesmo assim, cuidei de começá-la já diferente. Enquanto todos criavam super-heróis musculosos, fortões e anabolizados, sempre muito comportadinhos e escoteiros, eu ataquei logo com uma mulher enorme, exibida, de corpo escultural e pouca roupa. Já de início me contrapus ao modismo da época. Em seguida, fui eliminando toda e qualquer inspiração estrangeira.

 

Tito - Os nomes dos seus personagens eram em inglês ?

 

Emir - Não todos, mas haviam. Veja como é o produto da lavagem cerebral na cabeça das pessoas. Naquela época era estranho criar um personagem com nome brasileiro, e mesmo quem os criava sentia a pressão das imposições subliminares. O nome de Velta era Welta, e o de Kátia Maria Farias Lins era Kate Fills. O pai dela, ao invés de Joel Serpa Lins, era Joe Spencer Fills.

 

Tito - Quando começaram mesmo as mudanças ?

 

Emir - Já no segundo número da revista, em 1978, o nome Kátia foi adotado definitivamente. Na mesma época ela deixou o cargo de heroína para ser uma detetive particular, que cobrava pelos seus serviços, e isso é mostrado nas revistas da época. Em 1983, Welta deu lugar a Velta, mesmo porque muita gente tendia a chamá-la de Uelta. 

 

Tito - E as histórias, sempre se passaram no Brasil ?

 

Emir - Desde o início, em 1973, Velta vivia em Belo Horizonte, MG. Nova, desde 1976, vivia em Santos, SP. O Homem de Preto e Itabira, em João Pessoa. Nenhum dos meus personagens, desde suas criações, viveu ou viajou para Nova Iorque ou qualquer cidade Estadunidense ou estrangeira.

 

Tito - E as histórias tinham ingredientes de super-heróis ?

 

Emir - Em princípio, haviam alguns desses ingredientes, mas eles foram desaparecendo com o tempo. É importante ressaltar que já comecei com a preocupação de fazer meus personagens o mais brasileiros e verossímeis quanto fosse possível. Só como exemplo, tem uma história de Velta de 1977 onde ela não se bate contra nenhum inimigo ou vilão, e trata apenas de uma briga de namorados.

 

Tito - E quanto às roupas ? Também nunca usaram uniformes espalhafatosos e tal ?Velta

 

Emir - Houveram uniforme no início, como no caso da Garota de Borracha. Velta, entretanto, sempre variou muito suas sumárias roupas, usando dezenas de modelos diferentes, inclusive, num determinado tempo, houve uma amiga e leitora, do Rio de Janeiro - nos anos 80 - que era estilista e sempre sugeria modelos de roupas para mim.

 Itabira, o índio, sempre andou de tanga e quase nu. O Homem de Preto sempre usou calças e camisas comuns, apenas na cor preta - e o detalhe fora do normal é a máscara. Enfim,  exceto a Garota de Borracha, e Nova (somente na sua primeira história), nenhum deles usou essa coisa de uniforme fixo, capas e apetrechos pomposos.  

 

Tito - E aquela coisa de identidade secreta ?

 

Emir - Nem uso tal palavra nas histórias. Mas é lógico que, uma pessoa que se expõe de alguma forma para os criminosos precisa esconder seu verdadeiro rosto e família, para proteger-se e ter privacidade. Isso seria normal, em caso real. 

 

nova roboTito - E sobre a sensualidade das suas personagens, que sempre foi algo muito comentado, o que você tem a dizer ?

 

Emir - É mais uma característica eminentemente brasileira, e mais um ponto de fuga aos conceitos dos estrangeiros. Todos sabem o quanto estes escondem, camuflam e fogem do assunto, tratando como um verdadeiro pecado. O brasileiro já é diferente, e no geral não carrega essa hipocrisia dentro de si. A não ser que seja um total influenciado e alienado pela propaganda estrangeira. Por isso, meus personagens querem distância das leizinhas do Comics Code, vulgo Código de Ética, dos EUA. Isso é proposital e vem desde os tempos das suas respectivas criações, nos anos 70.

 

Tito - E quanto aos poderes ?

Emir - Não são atributos que possam caracterizar um personagem como super-herói. Existem criações européias, por exemplo, com poderes anormais, mas não são heróis. Mesmo porque, no geral, o Europeu detesta os Supers. Até em novelas brasileiras já apareceram personagens detentores de poderes, e nem por isso as pessoas os taxaram como super-heróis.

 

Tito - Então, nada impede de haver personagens de quadrinhos com poderes que não são super-heróis ?

 

Emir - O conceito e o rótulo está na cabeça de quem os atribui. Eu, como criador, digo que meus personagens não são heróis e nem heroínas. Porém, não nego que no princípio, eles o foram. Não havia como se parar no tempo e continuar fazendo coisas do mesmo jeito que há 30-35 anos atrás. Ademais, imagino que cada um tenha um estilo próprio, e este é o meu estilo, atualmente.

 

Tito - Você disse em outra entrevista que vai deixar bem claro a sua preocupação em fazer os personagens bem reais nas próximas histórias de Velta.

 

Emir - Pretendo apenas enfatizar e deixar mais explícito a minha linha de trabalho. Só espero que, desta feita, quem ler, consiga entender no ato. Mas, infelizmente, ainda haverá quem não conseguirá enxergar o óbvio. Os que me acompanham há tantos anos, vão perceber rápido porque já sabem como conduzo minhas criações.

 

Tito - Mas e quanto ao novo álbum que vem aí, onde você vai mudar a identidade de Velta ?

 

Emir - A identidade referida é apenas uma carteira de identidade mesmo, um RG. Ela ganhará um sobrenome, resultado do concurso que instituí na internet. Será divulgado o nome ganhador nessa história. Velta

 

Tito - E quanto à Kátia ? Ela também mudará de nome e terá nova identidade?

 

Emir - Isso, só esperando para ver. Se eu contar agora, perde a graça, quando se for ler o álbum.

 

Tito - Qual a mensagem para seus fãs e leitores desta entrevista ?

 

Emir - Primeiramente, agradeço e mando um abraço para quem parou aqui para ler, e para os fãs antigos, novos e futuros, que esperem muitas boas novidades para os próximos lançamentos. Como sempre, haverá dificuldades para os álbuns saírem em menos tempo, mas a espera valerá a pena, pois estou caprichando bem (como sempre procuro fazer) nessas novas produções. Espero que gostem. E para você, amigo Tito, meu muito obrigado por esta chance de poder ter contato mais direto com o público. Qualquer coisa, é só me escrever.

 

Tito - Muito obrigado a você Emir, e aos visitantes. Quem quiser ver mais de Emir, Velta e outros personagens, é só voltar à página principal, que está cheia de links legais. Abração para todo mundo, e valeu a visita.

                                                TITO AUGUSTO TAVARES MELO

Caricatura de Emir, por Bira Dantas (breve)